quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pássaro Formoso


¿Yo...? Vivo con la pasión
de aquel ensueño remoto,
que he guardado como un voto,
ya viejo, del corazón.
Y sé en mi amarga obsesión
que mi cabeza cansada
caerá, recién, libertada
de la prisión de ese ensueño.


¿Jorge Luis Borges?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Magia


Na escuridão da dor, na descida ao abismo, surge alguma esperança iluminando de amor a manhã do dia que virá.

"Quando não se ousa amar sem reservas é que o amor já está muito doente". Goethe

sábado, 23 de janeiro de 2010

De obsessões e escarros


A psicopatologia descreve a obsessão como uma doença caracterizada pela "ação de molestar com pedidos insistentes; impertinência, perseguição, vexação" e, ainda de acordo com o Houaiss, é o oposto da indiferença.

Conta a lenda, e não pode ser nada além de uma lenda, que Salvador Dalí teria comprado o escarro de um turbeculoso para ser admitido no lendário Sanatório de Clavadel, na Suíça, com a única finalidade de saber o que se passava com Gala (sua deusa e musa) e o ex marido Paul Éluard, seu primeiro marido, com quem ela teve uma filha, Cécile.

Descoberta a fraude, Dali foi expulso. Mas a sua obsessão não era a de Nelson Rodrigues que se proclamava uma flor de obsessão. Dali, ao contrário, travou amizade com Manoel Bandeira que, também turbeculoso, estava internado no mesmo sanatório. A amizade de Dali tinha um interesse muito especial: saber o que se passava entre Gala e Éluard.

Tenho, caro leitor, uma obsessão, uma flor de obsessão. Não tem insistências, não é impertinente, não existem perseguições nem promovo vexames. Apenas cultivo a flor do meu amor com a água pura das fontes cristalinas, perfumadas pelo desejo e pelo sonho de quem tem a clara consciência da impermanência, de quem sabe que a vida é breve e que o amor é a maior das dávidas que um ser humano pode ter.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mainland



"Flota el cielo en profunda armonía,
Y el aire que suelta su lánguido tul,
Ancha como pámpano en la luz del dia,
Com claro relámpago o llama sombria,
Vaga la gloriosa mariposa azul"


Leopoldo Lugones

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Lunário Sentimental



Desço a rua Jorge Luis Borges e passo em frente da casa onde ele viveu até seus treze anos. Em Palermo, bairro de Buenos Aires, a manhã ainda mantém o frescor da chuva matinal. Entro num pequeno bar e tomo um suco de laranja, sem açucar nem gelo. Em seguida, peço um café expresso e sigo meu caminho rumo à praça Itália na esperança de encontrar, nas pequenas lojas de livros usados, o Lunário Sentimental, de Leopoldo Lugones. Essa obra, de 1909, é considerada por Octavio Paz uma das mais primorosas da língua espanhola. Esgotada há décadas, era para mim quase uma obsessão. Já havia lido o fabuloso Fuerzas Extrañas e procurava por todos os lados as poesias completas de Lugones. Fui premiado quando entrei na primeira lojinha e encontrei, por meros 50 pesos, um exemplar em papel bíblia, publicado pela Editora Aguilar, em Madrid, no longínquo ano de 1959.

Borges tinha especial respeito e admiração por Lugones e escreveu um poema dedicado a ele. A lua é o ponto de encontro entre eles. A lua, essa mágica luz que habita os sonhos dos enamorados, daqueles raros que têm o privilégio de serem tocados pelo amor, ainda mais quando os olhos da amada veem no enamorado o mais belo de todos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Hexagramas




Escrevo para você palavras
que escrevem em mim
um desejo que é teu
que mora em mim/
fugindo até os hexagramas
dos cristais de gelo
na garrafa azul de vidro
na luna córnea
da literatura latina.

E tua boca aberta
sob as árvores caídas
sobre tuas pernas fechadas
o meu desejo pulsando
em líquido espesso e quente
penetrando tua vida.

Teu corpo é um desejo de fruta
flor com sabor de verão grego
nas ruas da Bahia.

Em tuas minas abertas
de cristais e música medieval
exasperada tristeza
da rápida chegada
e súbita partida da
tua imagem escondida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Borges y Guatemala


Acredite, caro leitor, que os sonhos ultrapassam realidades e ficções. Na casa em que viveu Jorge Luis Borges sua primeira infância existe agora essa fantástica peluqueria chamada Maldito Frizz. Ainda não tive tempo para processar a intensidade do vivido em Buenos Aires durante a semana que passou. Bioy Casares fala de las cosas maravillosas que uno puede viver. Suzana e Helena serão apresentadas em breve, em seu maior esplendor. Ah, mas esperem e busquem na poesia o doce sabor de un té para dos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Matemáticas y Sueños


Matemática y sueños son realidades abarcando la existencia. Elas existem nas fantasias do poeta, nos desejos dos homens e das mulheres. Um cálculo ousado sobre o movimento da flecha lançado do arco tenso da promessa. Arco y lira. Sueños e deseos de llegar pronto ao destino, de abrazar tu cuerpo blanco perfumado de maracujá.

Mañana, quando el dia abandonar la noche, tomarei o vinho do teu desejo e agradecerei aos deuses o presente do tempo, da hora plena e da flor perfumada.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Equilíbrio frágil


O mundo vive dias de grande expectativa e terror diante do criminoso egoísmo dos países do primeiro mundo, sob o comando nefasto dos EEUU. Fui e continuo sendo admirador profundo das forças iluminadas que existem nos Estados Unidos da América, pois sei que lá estão sendo travadas grandes batalhas que decidirão o futuro da humanidade. Com isso quero dizer que enquanto os canalhas fundamentalistas (do mundo inteiro)… ( onde há Deus, o Diabo sempre tem sempre seu poço de petróleo) continuarem dando as ordens o resto da humanidade corre o risco de desaparecimento.

O presidente Barak Obama, filho de uma cidade marcada pelo crime (Raul Seixas gritando: ei Al Capone vê se te emenda!!) é um palhaço da corte dos brancos de olhos azuis, que o presidente Lula da Silva definiu com precisão.

O Protocolo de Kyoto, o fracasso de Copenhague, sem contar os inúmeros crimes contra a humanidade praticados por eles (brancos, pretos, azuis, amarelos, cristãos, mulçumanos e toda a corja que segue), definem aquilo que o filósofo alemão Nietzsche disse certa vez sobre a soberba da humanidade: um dia a estrela vai apagar e esse arrogante animal será esquecido na poeira cósmica.

Nesse sentido, e em todos os outros, a culpa não é só dos americanos pois os europeus não são menos canalhas que eles, assim como os japoneses. Portanto a guerra é de idéias, de pontos de vista, de perspectivas. Para isso basta ver o papa alemão Benedito XVI destilar o rancor típico do seu competente povo que, ao mesmo tempo, produz música divina e campos de concentração.

Não vou botar a culpa em Deus, pois esse, coitado!, é produto da nossa insuficiência. Se existem culpados são os homens, essa raça de víboras (alguém ainda se lembra quem disse isso?)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Chiquita


Na esquina da Avenida Jorge Luis Borges com a rua Guatemala há um café. O café é forte, melhor tomar um chá. Na esquina tem uma casa de chá e entre um gole e outro procuro teu olhar. Se isso te convém não tenho nada para postergar. Postergar é obsceno para o chá, para Morel y los sueños de Bioy. Borges y Lugones caminan para el otro lado de la calle. Hay un té esperando nuestros sueños. Pongo unos pesos sobre la mesa y tengo ganas de quedarme un poco más.