quinta-feira, 30 de abril de 2009

Metamorfose



Leio os poemas que Borges dedica a Lugones. A obra poética de Borges, aqui mencionada, foi publicada pela Emecé Editores de Buenos Aires em 2007. O exemplar que tenho é um presente. Desses presentes que traduzem o mais puro sentido da palavra presente.

Um presente, uma presença, permanência de aromas flutuando no ar. O mesmo sentimento experimentado por Borges quando, deixando para atrás os ruídos de la plaza, entra na Biblioteca.

“De una manera casi física siento la gravitación de los libros, el ámbito sereno de un orden, el tiempo disecado e conservado mágicamente”.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Idolatria



A memória pertence ao passado e o futuro a Deus pertence. No intervalo e no instante em que vivemos perduram nossas procuras e nossos esquecimentos. É o paradoxo do tempo permitindo viver o enigma das nossas imagens.
Há muito o que fazer. Compreender com mais apuro o que diz Santo Agostinho nos livros IX e X das Confissões é uma dessas muitas intermináveis coisas a fazer. Muitas outras ainda ficam pelo meio do caminho.
O homem, na sua busca essencial, usa todo o seu tempo para falar de Deus. Um "deus" que será sempre uma imagem. A busca, a eterna busca para encontrar, mais uma vez, o momento em que não haverá intervalo qualquer, entre o desejo e a sua satisfação.
Octavio Paz, pescando imagens inimagináveis, ilumina o instante em que a memória e o futuro cruzam o mesmo caminho.

sábado, 25 de abril de 2009

Iconoclastia


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Iconografia


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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Melancholia



A imagem é filha da saudade - Régis Debray

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Lembrar, esquecer


Dizer "te lembrarás" equivale dizer "não te esquecerás". Quando li isso pela primeria vez compreendi o emprendimento radical que era o mergulho pela memória. Dizer o mesmo é dizer o que sempre ocorre frente aos sentidos. A trama dos conceitos e as redes das palavras estão aí, sempre desafiando nossos pensamentos e fecundando nossas dúvidas. Lembramos demais e esquecemos de menos. A "saúde" ideal obtem-se do esquecimento e das lembranças apagadas, que vão perdendo o vigor se a vida não as realimenta. Memórias persistentes são iguais aos relogios "softs", derramados de Dali. Há uma estranheza que nos invade cada vez quando, por um instante, nos deixamos levar pelas reminicências que surgem em nossos pensamentos.

Nenhuma moderação ou cuidado pode ser chamado a aplacar o doce prazer que vivemos num sorriso furtivo que escapa do canto da boca

terça-feira, 21 de abril de 2009

Identidade: luto e melancolia


Os conceitos são trabalhados com pinças delicadas e firmes. Um lance de sorte suspende o sentido e as palavras trocam de sentidos em vastas redes semânticas. O luto, a dor, e a devastadora melancolia confrotados nos testes da realidade.

Mergulhado na música do She wants revenge procuro na pergunta de Nietzsche as respostas de Sigmund Freud. Esse mundo psicanalítico carregado de transferências reorientadoras. A vasta trama dos conceitos enfiados na bolsa Prada esperando um beijo frio e previsível.

Esse é um ponto de inflexão. Uma mudança de rumo, de ramo, do uso de técnicas mnemônicas e de cirurgias assistidas por luzes azuis e frias. Agora será o voo rasante nas caatingas dos sentidos carregados de garras e espinhos.

Trabalhar o luto e mergulhar com paradoxal alegria na melancolia, eis o desafio. A angústia da finitude combinando no sorriso aberto da tua pele úmida de cremes tranquilizadores.

Aves migratórias sobrevoam o mar da minha varanda. O vento sopra e a tua lembrança é doce.

domingo, 19 de abril de 2009

These Things


Ruídos abafam movimentos bruscos e rápidos. She wants revenge. Os caminhos do labirinto dividem-se permanentemente entre a sala e a copa. O baton, a boca, olhos reverenciando o prazer que cruza a porta do jardim.
Notícias nunca lidas, sempre lembradas, permanentemente esquecidas. Ruas, postos de gasolina, pequenos roteiros, inúteis lembranças. Mentes alugadas, corpos abandonados e prazeres oblíquos organizados sobre a prateleira do gabinete. A rua é escura, o destino certo evoca a pergunta: isso, todas essas coisas, a que será que se destinam?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Green Grass


Tom Waits e Kathleen Brennan

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Abril




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sábado, 11 de abril de 2009

O mistério


Meias claras na varanda,
olhares claros de crianças,
tributos cobrados no ar.
“vens de Minas
de onde o oculto do mistério se escondeu”

qual é o mistério que derrama esse rio
no coração da bahia?

se te lembras lembrarás
aquela tarde em amaralina,
decorada de purpurina

cheia de sonhos na varanda
e de tantos fogos no mar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Afinidades Eletivas



A imagem é númerica, digital, sintética. É uma quimera, um sonho e fantasia que habita terras altas e desconhecidas. Não tem referência no mundo real. Es sueño y sueños son deseos y fantasias.
O poema de Borges pousa, numericamente, na imaginária tarde dos sonhos e prazeres. Tua boca aberta procurando a vida e a felicidade. Os tempos verbais pretéritos perfeitos passados e presentes futuros.
Futuros imaginários, numericamnte analógicos, suspensos no instante preciso do desejo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pintura


Pintei quadros, escrevi imagens, sonhei mundos sem fim. Procurei a sombra da árvore no caminho da escola. Chorei minhas dores sob a generosa sombra da sua copa. Amei desesperadamente cada instante que teu olhar pousou sobre mim.

Ah, como é difícil e cruel imaginar as cores que não mais posso sonhar! Há uma foto, em Alexandria, que mostra o sol brilhando no reflexo dos teus olhos. Há uma passagem no bolso para a Grécia e um pequeno detalhe prendendo o cabelo. As cores são imaginárias e até mesmo inexistentes. A estação central está lotada. A passagem, os óculos, a pequena bagagem e os documentos foram checados mentalmente.

As cores continuam inexistentes. O caminho para escola favorece a procura. É nesse caminho que a árvore convida ao repouso e ao pensar.

O tempo, os anos, superposições de memórias, lembranças, recordações e imagens que não se apagam. Florentino Ariza, que conheceu o amor, contando cinquenta e três anos, dias, horas e minutos do seu amor por Fermina Daza.

As palavras gastas, velhas, emboloradas. A poesia barata, recendendo seu cheiro ocre, é uma peça cromada soltando os pedaços. O político nega ser político e o poeta nega ser poeta. Todos negam humildemnte o que são. Renegam e recusam ser como os demais.

A cor é grega. Um espledor de muitos megawatts espraiados pelas ilhas, pelas imagens flutuando sob a copa da árvore a caminho da escola.