quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Poema Lírico


"Hechas de materia infamable, las palabras se encendian apenas las rozam la imaginación o la fantasía".

Octavio Paz ilumina com fogo as palavras que toca. A experiência poética é um salto mortal.

Escrever poemas líricos e publicá-los num "simples e ingênuo blog" é um pequeno "salto mortal" que permite uma espécie de "regresso a nossa natureza original". Mas, ainda assim, isto aqui é uma guerra.

Mesmo o poema lírico, que ilumina detalhes da intimidade,... "es la revelación de sí mismo que el hombre se hace a sí mismo".

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Colores y poemas


De colores son los pajaritos
y los poemas de amor.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

9:34 am



Acabo de ler um longo texto de Miguel Cordeiro. Historiador ímpar, MC tem contribuido, como poucos, com sua memória abismal, para uma história singular da nossa época e, particularmente, da cidade do Salvador da Bahia.

A Memória é uma deusa. O filósofo Martin Heidegger, em sua reflexão sobre o “poema doutrinário” do grego Parmênides, perguntando pela Verdade, afirma que não existe uma deusa da Verdade, mas que a Verdade é, ela mesma, uma deusa.

A Memória também é uma deusa. Lembrar, rememorar, recordar, reviver, retratar. A marca temporal assinalada por Jean-Paul Sarte no Imaginário. O ato mágico, o encantamento da subtração da ausência e da distância. Evocação e busca da reconstrução imaginária do sonho e da vida.

De certo modo somos o que lembramos. A memória desenha o rosto da nossa identidade. Uma identidade cada vez mais flexível, imersa numa impressionante tempestade de imagens e sons, revela acelerado e estranho esquecimento.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Porto


Minh’alma é o lugar incerto.
que o teu desejo esqueceu.

A alma é um fantasma
vagando num galpão industrial.

Minhas mãos são saudades
atadas no fio do caminho.

Meu rosto, pedra fria,
transparente na memória.

Todo meu corpo é um traço,
uma linha que nada divide.


Em mim resta um porto, âncora perdida,
holografia do vazio.

O teu aliento, único veneno,
último alimento.

Nas margens do rio. Perto do Porto.
Perto da cidade de altos reluzentes.

Estações de pessoas alheias
pastagens em planíceis matinais.

Eu te vejo verde que te quero verte.
De Lorca e Sevilha.

De colores son los pajaritos.
Y los poemas que hablan del amor.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O porto, o mar.



Na cidade tem um porto
e o mar é o seu espelho

Manhã e barcos, líquido,
um espelho guarda tua imagem.

Refletidos estão porto e distâncias,
da montanha se pode mirar.

Teu corpo é uma via láctea de águas e fotos,
de silêncios e ausências.

Mares do Sul. Mares das tuas galáxias
espelhadas na lembrança.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mundo


O tempo é seco.
Aqui é deserto.

O ar é rarefeito.
Água há.

Respiro teu olhar
esperando tua saliva.

Albumina vida minha,
derramando líquidos em mim.

Entorna sobre mim tua líquida paixão .
e fecunda teu sustento.

Minha alma é um lugar incerto.
Meu corpo, teu alimento.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Espelho


Olho no espelho e vejo o olho aberto por dentro e por fora de tudo o que há em toda parte. A paisagem é refletida no olhar que pensa e espera o barco passar. O dia é incerto e a lua não tarda a nascer. Na manhã, quando ainda é manhã, abro os olhos e sonho que logo verei algo brilhante refletido no horizonte.

On the hill


Do alto dessa pequena colina é possível ver as naves imaginárias que navegam para as terras desconhecidas. Das terras ocultas chegam as mensagens dos deuses longínquos. Da memória, e suas intermináveis lembranças, brotam sonhos de uma viagem sem fim.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Esperanças


Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim


Cartola

Black and White y Esperanza


A vitória de Barack Obama anuncia um mundo inimaginável. A idéia de Esperança, com a qual ele acena tempos vindouros, é uma desses conceitos que compartilham com a idéia de Futuro, uma zona enigmática do destino humano.

George Steiner mostra como as 'esperanças' buscam, fundamentalmente, "una compensación por el sufrimiento injusto". Sejam religosas ou socialistas, as esperanças são "mercadorias" entregues no futuro.

O vermelho e o preto das cores dos vestidos de Michelle Obama, e das suas lindas filhas, entoam o canto do encontro das raças.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Shivare



'¿Tenemos derecho a preguntar por quê no ha de ser alegría el pensamiento humano¿'
George Steiner in Diez (Posibles) Razones para la Tristeza Humana

domingo, 2 de novembro de 2008

Esquisito




Já li jornais. Agora só vejo as fotos. Não que não leia mais, é que leio sempre menos. Sem tempo para ouvir lamúrias e comentários pobres de jornalistas em geral, leio Platão e Castoriadis. Os jornalistas têm uma profissão muito cruel que é a de ter o que falar a cada dia. Falam, falam, falam e, de vez em quando, conseguem dizer algo.

Imagens são diferentes ou indiferentes. São rápidas de serem vistas. Se a imagem não interessa, a gente vê de cara. Mas no texto jornalístico, acadêmico ou literário só vamos saber depois de um certo tempo. Por isso também é que leio, cada vez mais, as pequenas notas de certas colunas.

Leio Renata Lo Prete e Cláudio Humberto que ficou conhecido como a Porca Voz. Procuro ler autores brasileiros, mas leio pouco. Ler José Sarney, por exemplo, é um exercício mortal. Não menos terrível quanto ler o que tem a dizer o sr. Benjamin Steinbruch ou o sr. João Pedro Stédile. Claro que ler Luiz Felipe Pondé é sempre um grande prazer. Mesmo quando ele faz questão de revelar sua intimidade ao lado de Sloterdijk tomando um bom vinho e rindo da vida. Isso me faz lembrar Antônio Risério que adora fazer esse tipo de comentário. De revelar sua intimidade com outros personagens notórios.

Ler os editorias de certos jornais. Iguais em toda parte. Espanha, Miami, Alemanha, Argentina, ou Bogotá. Seus cadernos de cultura, com seus intermináveis filósofos e entrevistas cretinas. Ler é um ato desesperado. Ver o mundo e ler os sinais que temos dele é belo, maravilhoso e violento. Algo absolutamente paradoxal.

Talvez por essa razão, pelo fato de que o mundo seja essa coisa esquisita, é que podemos ler o mundo de cabeça para baixo e em todas aquelas perspctivas nas quais se pode sonhar e ousar.

Diante do que tenho lido e visto, quando me deparo com essas questões do cotidiano sinto a necessidade de uma bela imagem para, com ela, viajar.

Uma imagem de uma pintura. Um azul banhado por um amarelo ouro puro e cristalino. Telas galáxias, telegaláticos sinais do mundo, sinais nas fronteiras do tempo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Coldre


A imagem é filha da saudade. Pergunta pelo passado do homem mirando seu próprio fim. A violência como única condição para a sobrevivência. O aqui e o agora mas que bem poderia ser em algum lugar e a qualquer momento.

Minhas lembranças nessas terras globalizadamente sem fim. Isso aqui é o fim do mundo. Aquilo que Caetano canta em "Cú do mundo": ...onde o cujo faz a curva.... o crime estúpido, o criminoso... O adjetivo esdrúxulo.

Mas tem moqueca e dendê. Calor e aratu. Tem a menina com samba no pé e loucura na cabeça. Ah, e tem picolé.