sábado, 31 de maio de 2008

Parques de Palermo




Um plantar de palavras, um pintar de ilusões, como los sueños de Calderón de la Barca. Tomamos um chá e a vida continua termicamente suportável. Nem pense em me tocar com suas frias mãos. A vida tem um limite determinado pelo calor dos corpos. Nem pense em me tocar se o desejo não transbordar do teu corpo.

Parques de Palermo

A imagem registra os passos no passeio pelo parque. O lago, a flor, o outro lado do lago e o outro perfume da flor. Movimentos lentos, nenhuma tarefa a cumprir. A imagem quer ser contemplada, parar o tempo, olhar nos olhos, tocar nos dedos, levantar a taça de vinho. A cor é suspeita, está sempre seduzindo. Construir uma imagem é montar uma lembrança, vigia atenta da memória. "Toda criação poética surge quando se cultiva o pensar da lembrança". Toda lembrança quer uma imagem para guardar.

Parque de Palermo. Fragmentos imagéticos, trapos de memórias e de saudades. Souvenir líquido, como uma memória derramada em baldes de cores, tingindo plantas e flores. Cenários imaginados e construídos no exato momento das impossibilidades.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Instantânea cor

A imagem fixa a luz e desloca o sentido. Linhas, blocos inteiros de cores, massas corridas pelas paredes transfigurando a luz na matéria inerte. Uma inércia viajando na velocidade da luz. A água reflete um espelho que reflete água que é pura luz vinda de todas as partes. Água, luz, calor de ondas magnéticas. Ciência fervilhando substâncias coloridas, gasosas, penetradas de odores retilíneos. Por todos os poros o polém, por todos os lados as cores. Os fantasmas noturnos estão suspensos, condenados ao exílio do dia.

A cor é um tributo ao sentido. Pólen fecundando mel, tocando a pele do desejo.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O caminho veloz do infinito



Perspectiva Infinita. Veloz, fulminante, plena. Sopro na narina. Viver no instante. Correr, sorrir, sair. Chegar e partir. Passagem sem fim da besta veloz do infinito.javascript:void(0)

La clave del sol



A luz do sol escreve nossas vidas no tempo das flores. Desenha com cores nossas esperas e felicidades. O tempo suaviza a cor e dilacera a dor. A luz do sol desenha uma música no tempo exato para uma água e um café. Coragem estimulada pela cafeína no primeiro raio do dia. Brumas e reflexos azuis vindos dos automóveis em lenta agonia.

É com esse desassossego que meu corpo mergulha no primeiro banho do dia. E nessa hora que a luz brilhante do sol anuncia os sinais da tua presença.

O sol da manhã



O sol da manhã e uma gota cristalina de água pura. Transparência de sentidos e uma aura dourada exalando da moldura. O enquadramento iluminando a beleza na aurora da promessa.

O Jardim Japonês

O Jardim Japonês é uma passarela Kenzo. O Oriente ao oriente do Oriente. O chá e o bambu fazem a cerimônia que celebra teu movimento de cores velozes.

Esferas Azuis em Tlaltelolco



O pequeno movie registra uma procura pela totalidade expressiva da imagem em ambientes tridimensionais. A ausência de palavras é o mistério a ser imaginado. Quais palavras deveriam flutuar sobre a esfera? Ainda há tempo para encontrar o sentido no repouso do movimento.

A arte, entre a ciência e a filosofia, desafia a ausência de inquietude das épocas decadentes. Difícil tarefa atravessar o vale dos perdidos e dos abandonados na Praça de Tlaltelolco. Nos desplazamos en plazas de toros, de sangre y tristes noticias. Três centenas de jovens fuzilados em plena luz obscura do dia.

The girl of my dreams. É um clichê. Uma banalidade que só arte é capaz de, outra vez, olhar. Olhar o olhar e a boca aberta num sorriso esplendoroso. Unhas cortadas na medida do amor. Olhos abertos passeando pela interminável geografia do corpo.

Essa metade obscura do homem. Assim Octavio Paz observava. Coube à arte a arte de rejeitar o futuro e viver na instantaneidade do agora. Coube à arte defender a palavra maldita: prazer.

Tlaltelolco. Para não esquecer!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Corpo



Os movimentos das esferas procuram a unidade do amor. Unidade que se realiza na permanente procura. E tudo converge para a mulher. A unidade matriz das diversidades. Porta entreaberta silenciando o canto dos passáros, criando histórias e atendendo súplicas.

"A filosofia é o contrário de todo aquietamento e asseguramento. Ela é o turbilhão para o interior do qual o homem é arrastado" Heidegger. Mundo*Finitude*Solidão

Pandemonium Oculorum


Dragões de ferro protegendo grades gigantescas. Portões e vigias atentos aos acontecimentos. Ordens e temores espalhados pelos quatro cantos. A imagem é a porta aberta do prazer. Espanta temores e sopra ventos no firmamento. Deus mora no detalhe. A imagem é um detalhe da criação que duplica a espontaneidade da natureza.

Imagens e Palavras



Mil palavras traduzidas em imagens de palavras imagens. Uma imagem toca os olhos, toca o sentido, narra o acontecimento. A linguagem é a imagem total, absoluta. Poesia e mito. Plumas e pedras traduzidos em opostos de dureza e leveza. A imagem é um ofício de criar mundos.

Não se trata de usar dispositivos técnicos para curar as imperfeições da geografia humana. Cada estética impõe sua poética. Cada destino traz implícito uma escolha.

Caminos de papel


Transborda a lua sua luz sobre carros azuis estacionados na neblina. O tempo instantâneo registrado nos dígitos da imagem. Ícones de bambu refletindo na vitrine da esquina dos jardins.

Dignatários de terras longínquas recebidos com flores de época. Alimentos servidos em pratos de fina porcelana branca, decorados com flores delicadas. Grandes negócios e crescimentos assustadores de tragédias midiáticas. O jornal nada diz, apenas estampa a fina flor de uma triste e espetacular morte.

O sentido do texto ultrapassa a mesquita e aterrissa no mais alto hotel de Dubai. Ilhas conhecidas de todos, ilhas de caras, de peitos e intimidades, repetições de alegria sem fim. Mas ainda não é tudo.

Desirée - Jogê


Personagens desfilando beleza e desejo de vida. A intimidade do alvéolo guardado na delicadeza da forma. Uma peça íntima, uma forma de acolher e proteger pedras preciosas e lagos de águas puras. Histórias vividas no mundo de Alice. Maravilhas ilógicas pronunciando Carroll and Lewis. Charles Lutwidge Dodson Patiño y Calaveras.

Em meio ao jardim das palavras, ervas daninhas

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cumpleaños


Com el corazón en las manos y ojos puros
Afiados como caninos
Suaves como um cântico,
Traço teu perfil com una onda
Num interminável mar de música

La sangre jorrará da minh’alma como rosas
Procurando a virgindade do teu olhar metafórico
E a poesia guardará a sedutora saliva
Nos mamilos virgens da tua esplêndida beleza.

Roxane

quinta-feira, 22 de maio de 2008

La tempestad y la calma



O pão, o vinho e o teu corpo transfigurando meu desejo. Perfeitos são teus movimentos e sublime teu olhar. Fugazes tuas aparições.
Um azul profundo penetrando o abismo do teu corpo,
e um tempo sem fim entre o desejo e a satisfação.

Pintura




Balthasar Kłossowski known as Balthus - 1908-2001

Obra desconcertante num mundo puritano. Hoje, e talvez mais que nunca, a obra de Balthus ainda causa estranheza. É isso que me provoca dialogar com esse pintor. Um pintor comenta um pintor pintando. Essa imagem é um diálogo e uma reverência a um autor que vê o mundo com o olhar essencial.

Fuerzas Extrañas



Meu querido amigo Miguel,

Estou de volta de uma viagem que durou uma semana.

Fui ver as águas do Plata que lavam minh'alma e encantam meu coração. E na volta, nem mesmo recuperado do que vivi, eis que vejo as marcas das minhas mãos no passeio da glória, registradas na sua obra.

Curioso é que faz algum tempo eu me perguntava se vc algum dia faria algum comentário escrito sobre mim. Coisas dessas vaidades adolescentes que espera integrar uma espécie de "sociedade dos poetas mortos". Mais curioso ainda é que quando abri a
caixa postal haviam e-mails seus e de nosso amigo e grande poeta Luis Chateaubriand. Abri primeiro a mensagem de Chatô que fez uma brincadeira dizendo que eu não estava em Buenos Aires, mas sim correndo por aí com medo do Mapinguari.

Achei incrível como vc me deu a ciência e o título de doutor para explicar aos selvagens a viagem de Darwin e os nossos parentescos com os macacos. Gabirus incultos carentes de instrução pública.

Mas desta vez a AmericaLatina é llanura pampa com outros ruídos e outras pororocas. Agora é uma nuvem negra vida do Chile saindo da boca quente do Llaima. Nuvem de temores e mortes, rugindo em cores espetaculares e assutadoras. Ao lado dessa chuva de cobre vejo a Leopoldo Lugones falando de Fuerzas Estrañas, publicado em 1906. Dizem que a obra mais deslumbrante dele é o Lunario Sentimental de 1909.

Também encontrei Rubén Darío e Juan Gelman. E, afinal, adquiri um exemplar, em espanhol, dos Cantos de Maldoror. Foi uma festa como vc pode ver. Ao leve roçar da imaginação e da fantasia fui transportado para o restaurante do Museo Latino Americano de onde podia ver os parques de Palermo coloridos de outono.

Das pororocas amazônicas aos mistérios universais, que Borges enxergava na vida, com passos ora rápidos, ora lentos, vou caminhando pelas bordas desses caminhos.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Thyssen and Krupp



Um asco generalizado. O turismo, a publicidade, a política e o amor. Tudo contaminado pela exigência do exibicionismo propagandístico. A mídia é a filosofia. Pelo menos assim pensa Peter Sloterdijk que também pensa num cinismo infiltrado na coluna vertebral da defesa do sonho.

O amor e suas intermináveis antologias impublicáveis em edições especiais de custos elevados. A linguagem e a imbecilidade acadêmica, endêmica e contaminada pelas novas formas vegetais de produção de energia. Poetas ministros e ministros pastores de almas sempre perdidas e jamais postas nas seções de achados e nunca encontrados, ou procurados. Digamos que tudo isso pode ser posto num tópico de uma psicologia americana ciosa e quantitativa. Criatividade à prova d’água e impermeável a toda e qualquer tentativa de pensar outra vez o lugar onde chegamos. Chegamos, com Heidegger, ao lugar tedioso que se chama lugar comum. A responsabilidade alemã com o Estado de Israel mesclada num dusty miller fabricado por Thysen e adocicado por Krupp. Os produtores de qualquer coisa: folhas e coca, trigo e soja, cana e açúcar, refinados com cimento portland, são apenas aspectos diferenciados da mesma corrida do ouro podre que Chaplin procurava.

Fui ao delta do Mekong e era el Tigre. Uma casa protegida do tempo que insistia em passar. A mesma estúpida mercantilização expressa num croissant com dulce de leche. Um buque, um barco afastando-se das margens e bordejando fronteiras inteiras e nuas. Oh Deus onde estás que te apresentas, em que cine, em qual canal exibes teu sorriso a prestações sem juros para saldar em dez meses? Ah, se teu filho fosse gay e tivesse orgulho de uns peitos de silicone. Saramago seria árabe e Jorge Amado jamais teria visto Gabriela em cravo e desdém.

Não vou gritar. O áudio e o ósculo são melhores entregues em MP3, um formato que Alfonso Reys não imaginava, mas que Leopoldo Lugones certamente já conhecia embutido nas equações de Maxwell.

Ah, meu amor! Te quero mais que qualquer vino, pão, ou qualquer copo d'água sem gás. É para ti que sonho um mundo melhor, sem sanguessugas e sem intervalos entre o desejo e o prazer de ter tuas mãos entre o meu olhar.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Los sueños



'La vida es sueño, y los sueños, sueños son' - Calderón de la Barca

domingo, 4 de maio de 2008

Pandemonium


Polifonias polissemias e pandemonius. Aves, gárgulas, ninhos de águias suntuosas. Pavões misteriosos. Plumas divinas, incontáveis. Mares bravios e ventos assustadores. A imagem é um argumento. Um contato alado com o outro lado do sentido.

A besta veloz do infinito



No interior da catedral gótica, o homem sem imaginação é arrebatado pelas figuras que descem dos altos lugares para retirar dos seus pés o solo das certezas quotidianas. Tocadas pela imaginação, as palavras voam sobre nossas cabeças como aves triangulares, opacas, transparentes.

Rubras cores de vermelho sangre de tu cuerpo mistério. Manzanas y olivos sudando aceite cerca de tu cama de papeles.

Corre criança. A noite já vem.