sexta-feira, 27 de junho de 2008

Reconciliación de los contrarios


La exaltación de la vida puede ser trágico. Un instante y jamás. Un instante y para siempre. Nacer e morir: un instante. En esse instante somos vida y muerte, esto y aquello. Octavio Paz.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ruth Cardoso


Humilde tributo à lembrança de Ruth Cardoso. A dor espelhada na face da sua família está revelada na comovente imagem do fotógrafo Jorge Araújo da Folha de São Paulo. Tomei a liberdade de usar a bela e triste imagem para destacar apenas as mãos, o movimento das mãos, nessa valsa do último adeus.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Los caballos de Abdera


A loucura se esconde nos alvéolos da racionalidade. O romantismo confessa tempestades íntimas e suas estratégias revelam fraquezas sentimentais. O prazer do romântico, dizem, é agridoce. Padece uma espécie de depressão que leva à melancolia e, não raras vezes, ao suicídio.

O surrealismo da imagem também é romântica, mas celebra a vida. Celebra o acontecimento apreendido na possibilidade da linguagem.

Los caballos de Abdera de Leopoldo Lugones tem sido a fonte de águas puras para esses exercícios, que levam às últimas consequências o diálogo, entre a pintura e a infografia.

Tempus rerum.


Aroma Romã
Amor a Romã
Aurora e Nome
Roma Romã

Ninguém é Romã
Não há Amor a Roma
Só aroma
De misturas.

O Nome Ninguém
Aroma Tiza
Misturas de Amores.

Amor a Romã Tismos
Taças de lisuras
Ninguém é Você

Só teu aroma,
Roma Romã.


A palavra de ordem do Romantismo é inverter o lugar e a importância de certos valores. O mergulho no sentimentalismo e o abandono do racionalismo é uma meta a ser perseguida. Misturas de Amores e Amoras e uma busca incessante pelo desequilíbrio, pelo paradoxo, pela anarquia. Formas de suicídio lento e inexorável. Uma anorexia da razão que leva a alma ao exame mórbido das tempestades íntimas temperadas com frivolidades.

Martin Heidegger, o filósofo que mais penetrou a mina obscura das palavras e do pensamento, diz que o “A linguagem é a casa do ser. Nesta habitação do ser mora o homem. Os pensadores e os poetas são os guardas dessa habitação”.

Mas é sempre triste e cruel lembrar que não existe um lugar para poetas ou pensadores no departamento de marketing dos corações corporativos. As inteligências migraram, como pássaros seguindo seu destino, não para guardar a habitação do ser, mas para escavar as entranhas da terra e extrair, com fórceps brilhantes, o ferro e o aço lubrificado em negro petróleo.

A inteligência numérica fluindo em cálculos estatísticos, testados até as últimas consequências. Lucros sem fim, incessantemente sem fim.

O poema é um desvio.
É a aterradora e romântica forma de sentir a carne denunciando seu destino efêmero.

Tempus rerum.

Caminhos de Abdera


Auto Retrato imaginário. O cenário são as ruas de Abdera. Lá nasceu Protágoras, para salvar a cidade da má fama. Na literatura de Lugones, Abdera é a cidade onde os cavalos são tratados como pessoas e que, após certo tempo, comportam-se como tais. Abdera é o caminho do absurdo. O outro lado do lado de lá. A mina na qual ainda é possível escavar palavras estranhas.

Os Cavalos de Abdera


Tributo a Leopoldo Lugones.

sábado, 21 de junho de 2008

Caminhos


O passado e o futuro no destino do homem. Uma procura incerta, indeterminada, um acontecer sempre aberto. Com os pés, com as mãos, com os úteis instrumentos cirúrgicos que utilizamos para dizer e mostrar, em camadas carregadas de efeitos estranhos, o "desvanecimiento" que desliza entre a vida e a morte.

Uma sempre presente crítica "dura e severa" contra a "avidez de novedad" e o falar desenfreado. O imperativo abrir os olhos, mais outra vez, para tentar salvar-se no "solo firme de la percepción visual fenomenológica".

O Photoshop, assim como outras ferramentas digitais de criação e processamento de imagens, permitem um sem fim de possibilidades expressivas. Com elas, como na poesia, o grande problema não é a rima, mas a capacidade de evitá-la. Usar o arsenal de meios oferecidos por uma ferramenta com tais recursos significa, antes de mais nada, não tagarelar imagens. É um exercício para usar, com economia, o poder do mostrar.

Janus


Jano, Janus, Janeiro. Faces que se voltam ora para o passado, ora para o futuro.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Jano


Trilho reluzente. Lentes azuis em reflexos dourados.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Blue Black sTar



Vejo tua imagem esquálida, cinza, cruelmente antecipando a situação limite da morte.
Busco abrigo na poesia.
Busco abrigo no abismo.
Mas já sei que não vai dar em nada.
Essa coisa é um rio passando,
eternamente ti levando.

Quero fluoxetina na pupila, na sinapse precisa,
quero drogas gerais.
Quero uma armário de ambulatório com seringas.

A fuligem da droga deixando tuas pernas ainda mais finas.
Tua pele caindo aos pedaços como caem os cabelos
Cai teu semblante,
Cai teu olhar.

Poesia lírica na bolsa de futuros,
futuro incerto no cálculo do tempo.
Números irracionais dominados
por lógicas e algoritmos sagazes.

Tuas unhas caem. Teu brilho é assustador.
Teu sexo é azedo. Teus peitos mais que perfeitos.
Tenho teu telefone.
Nem mesmo um e-mail verás.

Vou ao mercado.
Vou comprar detergente e pasta de dentes.
Gasto meus dias
comprando lembrancinhas em shoppings.

A droga só chega bem tarde, lá,
quando a noite já vai longe.

Blue Black sTar.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Instantânea morte




O sujeito aperta o gatilho e espera o resultado incerto. Quem terá sido atingido pela bala perdida no meio de tamanha confusão, nessa tão avançada hora da noite apagada pelo tempo?

Caminhos para o mar



Na noite escura a lua brilha a cor. Na distância e no silêncio o caminho é iluminado pela luz lunar. Um sendero brilhando cores lunáticas no imenso abismo do próximo instante. O caminho da poesia e a cor da imagem sonhada, deslizando pelo olho, trazem uma noite para essa lua. O rumo é outro. A luz é outra.

"La ley del día y la pasión de la noche"



Na noite negra uma fuligem cinza profundo. Uma des esperada despedida em des medida dor. Quietude e Solidão. A negra noite da fuligem ácida penetra as paredes duma espiral carbonizada. O espírito do tempo no tempo eclesiástico destinado a todas as coisas. O tempo negro da noite sem fim.

domingo, 15 de junho de 2008

Black sTar



Back to Black. A volta profunda sobre o sentido que gira e repousa em torno da memória. Chuva ácida, droga vulcânica, dilúvios de abismos. E a vida esperando sinais para outra vez renascer.

Black Tar



Droga pura e imperfeita.

sábado, 14 de junho de 2008

Sonho


Una ola de amor que
va de mi cuerpo al tuyo es
una humana canción.
No canta, vuela entre
tu boca y mi verano
bajo tu sol.

Juan Gelman

Hermes Diabólico




Traduções da alma correndo pelos campos do sentido. Intimidades voando pelos ares da saudade louca. Dos teus sonhos tranquilos que acalmam minha alma, meu desejo sem fim. O monge passeando pelos caminhos distantes, de ruas submersas em refúgios e nevoeiros.

Um Certo Parque



Um incerto caminho e a certeza da felicidade. O abismo e o ar rarefeito das alturas. Plumas e levezas flutuando no espaço azul.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A besta fugaz no infinito


O teto do museu é a espora do desejo. Existe um sonho transfigurado na ponta fina do metal, no sem limite da vontade. O vinho derramando sobre o corpo e a alma procurando abrigo nas fantasias matinais.

A intimidade da flor




A natureza sinuosa da cor e a lâmina afiada do pensamento. Os intermináveis intervalos entre o cálculo e um resultado indeterminado. O passar das horas, o tédio e a esquecida tentativa de esperar uma palavra.

O silêncio afiado, ventos celestes, cortando distâncias sem fim. O abismo do silêncio e o o vazio da distância. Impossibilidades imaginárias quando a alma está doente. Uma chuva de granizo e cobre. Uma chuva ácida cobrindo a paisagem do trigo. Chuvas de ouro sobre os caminhos da cana. Tempestades de chumbo sobre os campos de amoras. Araças e bananeiras invadindo o canteiro central da avenida que leva ao aeroporto, suspenso no ar.

Natureza, Cultura, Cabarés, pequenos favores, singelos obséquios. Palavras chaves para um projeto impossível. O projeto da poesia com orçamento e cronograma não foi aceito. A imagem, por sua vez, cuidou de estampar um absurdo em cores e belezas. Imoralidades eróticas, incertezas estéticas, um certo langor na condução da vida.

Cianureto en El Tigre



Conta a história que, após a ceia, Leopoldo Lugones recolheu-se aos seus aposentos e tomou uma cápsula de cianureto. Na esquina mais próxima um rádio tocava Sibonei. Ernesto Lecuona passeando por Macao numa tarde cálida. A imagem é a linguagem do silêncio da linha e do silêncio da tua boca. Caóticos e assimétricos são os sentidos dessas imagens que testemunham a procura do mostrar.

Modernidade gasosa. Uma coca-cola sem gás e uma fruta com chip embutido na pele. A cosmovisão de Simon Bolivar e a poesia de Octavio Paz semeando sonhos em senderos luminosos. Senderos que estão Sete Pragas Depois de Antonio Cisneros.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A Bela da Tarde



Geo métricas distâncias regularmente assimétricas e belas. Sou apenas os olhos que se abrem quando a luz aparece. O prazer do alimento da alma servido com mel.

O sábio apenas quer brincar com as crianças, jogar pedrinhas com elas. Ficar encantado com a maravilhosa fantasia que elas são capazes de viver. O sonho mais puro e a fantasia mais genuína.

Um besouro, uma caverna, os índios, a magia, o segredo, os lugares sagrados e os sempre proibidos. A imagem dos barcos é um desses lugares de fantasia, inexistente no mundo das fotografias do Google.

É um sonho!

Geo Métrica



Uma taça de vinho e suas consequências sobre as lembranças dos ensaios. A memória do esquecimento e o esplendor do momento em que a luz atravessa a janela desde o alto do restaurante do museu.

Ensaios sobre o luto, sobre o suicídio e ensaios sobre os ensaios sobre o dinheiro. Temas sem fim, teses, dissertações e romances. Jingles de todas as espécies, zilhões de fragmentos invadindo o tempo, o tempo todo.

A garota abre a bolsa e torna possível perceber que nela há um presente. Um coração com trufas embaladas em papel vermelho brilhante. Uma fita também vermelha, também brilhante, levando uma mensagem cifrada. Uma metáfora a ser desenvolvida na maior ou menor habilidade do desfazer do laço.

Desfazer o laço e refazer o desejo de uma alegria sem fim. Um jogo que sempre recomeça, sempre de novo, sempre outra vez. É como des fazer o laço e depois ver como se faz o nó que liga a fita, abraçando com força os ensaios sobre um coração de trufas.

Procuro a poesia em cada linha do parque. Fragmentos preciosos. Duas ou três palavras são suficientes para traduzir intermináveis bancos de dados e links inúteis. A geometria do desejo medida pela intensidade da luz atravessando uma alta janela em pleno coração de um Museu de Arte.

Uma salada e um comentário sobre Frida Kahlo e Montaigne. A literatura de Leopoldo Lugones e uma Antologia de Poemas Sexuales. Uma copa de vinho maravilhosamente providenciando o esquecimento dos ensaios sobre o suicídio e o dinheiro, de David Hume. Uma sabedoria do amor intenso que permite olhar, com volúpia, a felicidade de poder viver o esplendor do viver.

Momentos únicos, singulares, roubados e vividos, os mais preciosos da existência.

O dia de hoje



"Sí; enamorarse es un talento maravilloso que algunas criaturas poseen, como el don de hacer versos, como el espíritu de sacrificio, como la inspiración melódica, como la valentia personal, como el saber nadar. No se enamora cualquiera ni de cualquiera se enamora el capaz. El divino suceso se origina cuando se dan ciertas, rigurosas condiciones en el sujeto y el objeto. Mui pocos pueden ser amantes y mui pocos amados". Ortega y Gasset

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Citações



A imagem é um sonho que transfigura o olhar. Um apinhado de éticas e de terríveis estéticas que vão do rio e chegam até a terceira margem. A presença dos cenários de Alletsator, o bisão incrustado em Altamira, o velho carro americano pelas ruas de la Habana Vieja e o toro-piercing no pescoço da vaca sobre o pedestal da glória constituem as dúvidas sobre a natureza das citações e um salário que financia a possibilidade de continuar existindo. Um oriente ao oriente do rio que não passa pela minha aldeia, nem pela minha cabeça.
Alletsator é uma ópera disponível em rede. A infinita perspectiva do piso aprofunda os mistérios que transbordam pelos labirintos do conhecimento fugaz, remetendo meu olhar para Las fuerzas extrañas apontadas por Leopoldo Lugones.
Como ser agressivo sem ser violento. Onde encontrar o limite entre a minha sorte e o desejo de ver teu olhar entre minhas mãos?

domingo, 1 de junho de 2008

Comunicação, Psicanálise e Moda


Montaigne falava dessa pretensão que alguns homens têm de querer transformar banalidades em temas de elevada importância. Criticava a forma como certos trabalhadores da cozinha, hábeis cozinheiros, falavam e descreviam a importância da sua atividade. Davam ao assunto, com suas palavras e impostação de voz, a importância das questões de Estado.

Do mesmo modo ironizava aqueles que se deliciavam encontrando sentido em relacionar o início de certas palavras com outras, e assim tecer poemas ao acaso.

Maravilhoso é descobrir, com Montaigne, que desde a Grécia já existiam esses poemas em forma de "ovo, de bola, de asa, de machadinha, obtidos pela variação das medidas dos versos que se encurtam ou alongam para, em conjunto, representar tal ou qual imagem".

Não sou capaz de afirmar se a técnica de molhos, e a variedade de saladas da estação "ornamentadas por belas palavras", ocupam a mesma importância na volúpia da frivolidade.

A poesia concreta e as fitas coloridas do Senhor do Bonfim são testemunhas das irônicas e estranhas mutações do sentido ao longo da história.

Adrian Ferran, com seu El Buli, exibe, em Kassel, o vermelho rubro do tomate catalão no centro do sagrado espaço da arte Alemã.

Montaigne não viveu a opulência, o luxo e o desperdício das ricas sociedades contemporâneas. Mesmo nas senzalas da pós modernidade existem analgésicos e soluções rápidas.

A intimidade é um luxo de poucos.

A intimidade é um código




O amor é um desafio e a intimidade um código a ser decifrado, somente na persistência do olhar e do desejo. Olhar e desejo são bens simbólicos disponíveis para os espíritos de sensibilidade sutilmente elaborada. A alma humana, quando empreende uma busca, encontra os caminhos para a sua travessia. As imagens que brotam desses sentimentos e dessas perguntas revelam traços de cores e de delicadezas.

Uma cor, uma fita, um pequeno bordado cuja existência indaga sobre a luz obscura do meio dia. Algo que se dá simplesmente porque as regras da gramática não mais existem e porque não há nenhum desejo de comunicação elaborado nos escaninhos da razão. É só cor, saudade, o roçar da pele e um olhar-sorriso esparramado sobre trapos de cores e gestos sutis. É uma ternura líquida, assumindo a forma da beleza do corpo que a contém.

Um carro veloz, assustadoramente veloz, ultrapassa o limite do proibido. Só o branco, deslocando-se como uma tela surreal, pode ser visto estilhaçando a quietude da tarde.