quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ciénega


Mundo de névoas e dúvidas. Penhascos de infinitos abismos rumo aos obscuros destinos da alma humana. Cavalos alados nas janelas de arranha-céus púrpuras, cintilantes e dourados. Sonhos de impossibilidades cósmicas. Spanish horses volando por pradarias e ladeiras que levam ao mar.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Parque Humano


Platão ensinou que a Política é a arte de conduzir rebanhos. Mas um tipo especial de rebanho. O estranhamente curioso e divertido nessa história é o fato dele considerar o homem um tipo de animal que é definido por atributos mui particulares.

Fazer considerações dessa natureza são perigosas, sobretudo quando sabemos que existe uma "indústria dos comentadores de Platão", como lembra o contemporâneo filósofo Cornelius Castoriadis.

O fato de que Platão conclua que o "rebanho" seja composto por "esses seres não alados, sem chifres, que só se acasalam com seus semelhantes" só reafirma a bondade do olhar do filósofo/poeta. É bem verdade que os seres devem ser bípedes, andar ereto e ter um olhar voltado para o alto.

A Política continua sendo a grande Arte. A grande Arte de compreender os mais elevados conceitos e traçar os destinos desse bípides não alados e sem chifres.

Escritores, Políticos, Financistas, Poetas, Estrategistas, Estadistas. Vivemos cibernéticas descidas aos infernos dos mares infestados de gráficos e tendências. É a antropotécnica tal como compreende e disserta Sloterdijk.

A grande política ainda está por vir. Não sabemos ainda quando virá. Nem mesmo sabemos se ainda virá.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ladino



O judeu-espanhol ou ladino é uma língua semelhante ao castelhano. Estima-se que ainda é falado por cerca de 150 mil indivíduos em comunidades sefarditas em Israel, nos Balcãs, Oriente Próximo e norte de Marrocos; também é conhecida como espanhol sefardita e judeoespanhol.

Foi Elias Canetti, no seu livro A lingua Absolvida, quem fez uma inédita relação entre a língua alemã e essa língua mágica, que traduz e adiciona termos do hebráico ao castellano. Na verdade inclui também traduções do árabe para o espanhol. Todas essas informações estão disponíveis na Wikipedia.

Distinto da história fascinante de uma língua é a experiência de ouví-la hoje na voz, ensandecidamente bela, de Yasmin Levy.

Filha de Yitzhak Levy, que foi um pesquisador pioneiro da música conhecida como Ladina, Yasmin respirou, desde a infância, igual a Canetti, a magia desse encontro maravilhoso de culturas.

Do outro lado do arco encontro Elias Canetti retomado por Peter Solterdijk para falar das intermináveis loucuras da vida humana. A loucura que analisou com profundidade em Massa e Poder, publicado em 1960 e, pelo qual, foi agraciado com o Prêmio Nobel em 1981.

Canetti, que possuía a "riqueza quase ferina do olhar", é, provavelmente, o autor do século 20 que mais refletiu", como diz o seu biógrafo Hanuschek,

Yasmin Levy, a Música, as imagens e uma vida de sonhos sempre distantes. Palavras e pedidos, súplicas e desesperos. O mortal passar do tempo, passar de horas a fio e a frio, passar de horas vagas para nossas almas. A vida e seus insucessos definidamente bem sucedidos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Clareira Azul


O jardim das delícias do teu corpo. A luz azul banhando o verde clorofila da manhã. Tua poesia é uma religião sangrenta exigindo ofertas impossíveis. Tu és formosa, amada minha, e em ti não há mancha.

Venho ao meu jardim para colher a minha mirra com o meu bálsamo, para comer o meu favo de mel e beber o meu vinho com o meu leite.

Os teus seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.

sábado, 12 de julho de 2008

Forças obscuras



Busca permanente para dar forma e beleza às forças caóticas, obscuras e premonitórias da alma. A recusa a toda e qualquer forma de razoabilidade ou acordo com a razão. A paixão explodindo em desejos e movimentos de contração e expansão. Cenários rubros contemplados com cores de temperaturas distantes. Temperaturas siberianas, terras del fuego, cordilheiras de mares.

Palavras postas em máquinas de palavras, momentaneamente traduzidas em imagem.

Superflua Grandeza


Voz del pueblo, lengua de los escogidos, palabra del solitario.


¡prueba hermosa de la superflua grandeza de toda obra humana!


Octavio Paz encontra en Heidegger cierta cumplicidad sobre el ritmo. El ritmo en su expresión de la presencia del tiempo. Encuentros literarios de comunidades lejanas, tiempos espacios incalculables.

"Las imágenes son productos imaginários"

¡¡¡ Laberinto de Espejos !!!!

Palabras, imágenes, sonidos y espejos. Laberintos urbanos refletidos en el alma. Puntos abiertos en el diálogo que desde muy lejos tenemos noticias.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Homem sem Qualidades



Peter Sloterdijk e Roberto Musil num encontro imaginário. O homem sem qualidades no mundo da internet e das estéticas móveis. Uma discussão sobre o humanismo na era das máquinas espirituais previstas por Ray Kurzweil. Um "surto de fantasias e auto-ilusões" que acreditam em superações ou desmantelamentos do círculo vicioso da barbárie. Ilusões e notícias inúteis preenchendo um vazio sempre tão vazio.
Mais um chá, mais uma viagem a paisagens deslumbrantes e ao deleite mavioso do vinho, no início de uma noite com promessas sem fim. Horas de esperas e dúvidas sobre o que ainda é possível viver. Horas de mero vagar na docilidade aparente do tempo.

domingo, 6 de julho de 2008

Contas sensíveis


Beleza lânguida espraiada sobre um edredom de cores rubras azuladas, banhada pela suave luz que desliza sobre uma cortina de setenta e nove dólares, pagas com o Amex de uma só vez.

Corais de vozes derramadas num langor que alcança o insuportável desejo de encontrar um lugar vazio, flores azuis e um fio dental sabor menta levemente suspenso sobre a pia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Flying colors


Colores volando por el aire. Caballos alados en las fronteras del sueño, Dibujos de visiones imaginárias. Un aislamiento en el deseo de tener otra vez la felicidad.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Um branco


Um branco é um silêncio sem fim. Uma ausência de presenças imprecisas. De repente surge uma luz, um signo longínquo a ser decifrado. Uma coisa de geografia rara. Um céu de cores cósmicas esboçadas numa estação de trens. Um banho de mar acontecendo como um milagre da natureza. Uma droga perfeita. Café e chocolate. Café e longas caminhadas por ruas apinhadas.

O ponto do ônibus vai noutra direção. O olhar vai pelo canto esquerdo de uma longa espera. As aulas terminam e começam outras lições. Uma droga antecipando outra. Um chocolate antecipando um beijo e outro café.

Um futuro atrapalhando os planos. Fatos e planos atrapalhando roteiros quase perfeitos. Os tempos verbais não dão conta do tempo que falta para que tudo continue o mesmo. O que mesmo outro café pode fazer para melhorar nosso ânimo?

Minha Droga


Minha droga é azul. Devastadora em seus caprichos. Tem hora marcada para suas exigências. Ultrapassa a fresta do olhar. É uma imagem e um sonho.