quarta-feira, 30 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
É domingo

Subo o minhocão, a pé. É domingo. Milhares de pessoas correm pelas ruas numa maratona/treino-sei-lá-do-que. São Paulo é a locomotiva do Brasil, uma locomotiva que leva o trem para o abismo, que é de todos. De NewYork a Shangai e à Tokyo poluída e demasiadamente cheia de humanos, movidos a baterias de lítio e a césio 147.
A imprensa, esse antro de línguas podres e mentes descamadas, clama pela ordem da desordem e por uma ética sinestésica encravada nas unhas do pedólogo. Leio as Ilustradas páginas e tudo aquilo que está no Mais ou no menos absurdo das filosofias Daslu. Daspu, espero bem mais. E elas sempre dão sempre menos e cobram demais. Cobram a assinatura dos seus articulistas de plantão ou de férias, as quais nunca chegam pra mim. Eu quero mais, sempre mais, ainda que todos os barcos abandonem o cais ou que caias de quatro por mim. A filosofia é uma fila de filo-zóficos projetos alucinantes, mas metodologicamente corretos, transbordando palavrões e pedagogias de amor. Amor ao próximo e à próxima remessa de lucros para as aquisições das camisas Dudalina, cheias de clichês dourados e permanentes.
O texto é assim mesmo, fragmentado, fragmentária semiose de suspeitas gripes suínas e retórica baiana, untada em óleo de castanha do pará. Não tem rima nem pretensões de qualquer coerência lógica. Só pensa mesmo é em sexo e desejos confins. As palavras jorram num fluxo sem feedbacks ou refluxos. O texto é um pão com manteiga em excesso, derramando-se pelas laterais das veias e pela obliquidade dos teus comentários. Parece uma política do esquecimento, um delete antes que seja tarde, antes que o dia amanheça e a turba reivindique a fortuna do pré-sal.
A maratona é assim, esse ir e vir de pessoas caminhando e gritando: “Vamos lá, galera!!”. É domingo e as notícias brincam de dizer que a primavera começou, que a vida é bela, é rosa, é brasileira.
sábado, 26 de setembro de 2009
São Paulo

A marginal Tietê engarrafada até os dentes. A primavera suavizando os nomes das tuas ruas poluídas e descarnadas. Iperoig nas Perdizes das tuas Harmonias e teus cafés cremosos carregados de saudades e sotaques brasileiros. As tuas semióticas complexidades derramadas sobre o leite desnatado nas tuas coxas é a via lácta do meu destino.
É nesse domingo de flores e cafés que minh'alma sorri no teu sorriso distante de mim.
É sol e a vida perguntando pelo desejo, por isso que traímos sempre: o nosso desejo.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Vitória

Passo meus olhos por Vitória. Estou no Espírito Santo. As pedras são imensos corações no coração da montanha. A primavera transporta a alma para o alto e o ar raro tem um efeito estranho e rarefeito. Não são trocações de sentidos no jogo das palavras o que encanta a procura do caminho. São as cores das flores que evocam tua presença, teu perfume e o de desejo de te ver no bosque da vida curta.
A arte é longa, a vida breve. Ainda que durasse toda a eternidade.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O coração é uma pedra, um desejo e um fim

O barco já vai partir levando o errante. A mulher cuidava do filho que também trazia as primeiras marcas da sua própria errância. Ela vivia sua dúvida entre ficar e partir. Fazia para si roupas novas para o novo e desconhecido lugar. Sabia que lá os cremes, as bases, as roupas novas e as teorias teriam pouco valor e utensílio. Lá, nesse estranho e novo lugar, nenhum lógica, nenhuma regra do mundo que ficava atrás, teria lugar. Tudo era novo, tudo era velho.
Não havia como fugir, apenas olhar com olhos tristes e cheios de saudades a lua que ontem foi cheia e hoje mingua no eterno ciclo do interminável rio da existência. Nenhuma marca, tatuagem ou lembrança sobreveveria ao novo tempo que a errância empurra, inevitavelmente, para o além.
Enquanto preparava um pequeno e nutritivo alimento, os olhos da mulher deixavam lágrimas que eram as transparentes palavras do poeta, nas quais se podia ler todo amor que brotava do seu coração. Mas o coração é uma pedra, um desejo e um fim.
O errante não era o barco, nem os mares mas o vento violento que com seus raios iluminava o silêncio dos espaços eternos. Não havia lugar para lembranças, histórias ou objetos que pudessem um dia evocar a terra de onde se partiu.
O marido ainda cuidava de prover a casa de areia desmanchando-se no tempo. Ainda sugava a energia da terra esquálida que amamentou à exaustação os filhos, os novos errantes. O marido cumpria sua missão de ficar preso ao destino de ficar e ver a angústia da mulher secando o cabelo frente ao espelho do tempo.
Não havia mais primavera no final daquele inverno. Só flores de plásticos e planos de saúde top de linha. Nem uma vela, nenhum barco, nenhum destino. Tudo estava determinado, previsível, certo, lançado no livro caixa do cotidiano.
O errante caminhante acende uma estrela e segue o incerto caminho. Segue na incerteza da vida, na incerteza da estrela que brilha na tela do seu celular. Sorri de mansinho e sente a brisa fresca da noite alegrar seu sonho.
A mulher abraça o filho e chora baixinho. Não mais nascem flores nessa primavera.
Aruka Marina
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Conchinchina

Conheço una muñequita que se ha hecho en la Conchinchina. Su color es color de piel y laca. El perfume es de la fruta de la passión. Su boca tiene sabor de boca y frutos de la estación. Quando la beso siento em mi la vida por entera.
Ela vive numa redoma de plástico, envolta em sonhos que habitam ilhas desconhecidas, acreditando no Tarô e nos hexagramas do I Ching. Quando a toco ela retoma a vida e me transporta para o Pigmaleão que ronda todas as almas humanas. Gosta de filosofia e de cremes hidratantes e perfumados. Sus perfumes son hechos por Lauder y sus encantos são comprados na rua vinte e cinco de março. Ela gosta de la tierra y de las hormigas que llevam hojas grandes y verdes para el nido.
Mi muñequita tiene su muñequita también. Las dos juegan juegos de alegrias y primaveras. Flores, água y luzes que bajan del cielo quando el niño Jesus viene jugar con los mortales.
Esta muñequita es mi sueño, mis alegrias y locuras. Ella no esta interessada nos debates sobre democracias representativas ou em formulários acadêmicos ou ainda nos PIBs de las naciones. A ella no le importa las exportaciones nem quer saber dos navios ancorados no porto de Tubarão.
Ela gosta de rock e das canções de Ceumar y de vinos tinto, rojos e sonhadores. Ela gosta de design in branco, amarillos y de borboletas azules. Gosta de não gostar muito de mim. Vive me provocando provocações sem fim.
Quando nasce la mañana ela diz que sim y quando la noche prende sus luceros en el cielo yo tengo que dormir.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Num meio-dia de Primavera
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Invisíveis
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Flores de Plástico

Elas tem caule mas não florescem,
seu orvalho é de cera
tem pétalas mas não perfumam.
Flores mortas, perfeitas, imóveis.
Como ídolos, tem boca mas não falam,
pernas mas não andam, lábios mas não beijam
Em algum momento pensei que era uma flor,
Por um instante sonhei com a seiva bruta.
Não, não me enganei:
quando te toquei era verde e perfumado o teu hálito.
A negra noite porém chegou.
Era de plástico o amor
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
O coração é uma pedra

Que pedra bonita é um coração! IC
Não carrego pedras para lançar. Minha mão está cheia de corações. Todos eles iguais, todos eles são teus.
As pedras brilhantes, forjadas por Francisco Brennad, brilham no vestido de Lucrécia. Inhotim espera por mim na curva do rio. O rio de Heráclito, o rio da minha aldeia, é o Lethe que esqueço sempre que teu corpo renasce em mim.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Beatriz - poema inútil

Que passado deve ser esquecido para
que o presente não revele sua dor?
Inúteis poemas escrevi.
Recuso a morte. Recuso entregar o ouro ao diabo, ao banco, a quem quer que seja.
Recuso tua infelicidade vestida de conforto, de medo, de desesperança.
Procuro a primavera no teu coração, na tua pele, no teu olhar.
Rosas de plástico andei colhendo para ti.
Poemas inúteis ...
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